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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Orange, sem brilho, chegará na final


O quarto dia de Copa Mundo iniciou com Holanda 2 x 0 Dinarmarca. Diferentemente de outras Copas, a Orange estreiou sem brilho. A vitória foi construída a partir de um gol contra (foto) de Simom Poulsen nos primórdios do segundo tempo, após um primeiro equilibrado. Depois disso, a Laranja Mecânica dominou a posse de bola, enquanto os Dinamarqueses corriam atrás. No final, Elia, que substituiu Van der Vaart no decorrer do segundo tempo, fez boa jogada pela esquerda, chutou na trave, mas Kuyt pegou a sobra e fechou o placar.
A Holanda sem brilho é um sinal. O time tem fama de tremer nos momentos decisivos após encantar no início, como na última Eurocopa, e dessa vez pode ser o contrário. Aposto que eles chegam na final, já que o time ainda evoluirá com a entrada de Robben. Resta saber quem sairá. Saindo volante o De Jong, o time perde em poder de marcação, mas dentre as opções de frente (Van der Vaart, Sneijder, Van Persie e Kuyt) é difícil tirar algum. O sistema 4-1-4-1 é a solução.


No segundo cotejo dessa segunda-feira enfrentaram-se Camarões e Japão em Bloefontein. Os africanos, que já não tinham apresentado um futebol convincente na CAN, decepcionaram mais uma vez. O craque Eto'o ficou isolado na ponta direita e pouco fez, contudo os Leões Indomáveis ainda levaram perigo na bola parada. Isto não foi suficiente para vencer os japoneses, que aproveitaram uma das poucas chances que tiveram e Honda marcou o único gol do jogo.


O jogo que fechou o dia foi o pegado empate em 1x1 entre Paraguai e Itália. A Azzurra começou dominando o jogo, criando boas chances de gol e parecia tranquila no final do primeiro tempo, ainda que o placar fosse 0x0. Só que aos 39 minutos do segundo tempo, o cuervo Aureliano Torres centrou a bola na área e Alcaraz mandou para as redes, acabando com o nervosismo paraguaio. No segundo tempo, a Itália se jogou para cima em busca da vitória. Aos 18 minutos, De Rossi aproveitou a falha do goleiro Villar no cruzamento de Pepe e empatou o jogo. Depois disso, a pressão total da Azzurra não fez efeito e o jogo terminou empatado.
Vale destacar a choradeira do italianinho de olhos azuis Montolivo. O jogo foi bastante pegado, no entanto, nada anormal para um embate entre a escola sulamericana contra a italiana.

Amanhã no primeiro jogo do dia enfrentam-se Nova Zelândia e Eslováquia. Hamsik deve comandar a vitória Eslovaca, que certamente dará trabalho para Itália e Paraguai nessa chave. Depois, Costa do Marfim e Portugal se enfrentam em Port Elizabeth. Os Patrícios devem vencer, apesar dos Elefantes terem grife. Fechando o dia, Brasil vencerá a Coreia do Norte por 3x0 mas, naturalmente, não convencerá ninguém.

domingo, 13 de junho de 2010

Domingo de Copa


O primeiro domingo de Copa começou com Argélia e Eslovênia. Não pude assistir, mas pelos melhores momentos, que foram poucos, e comentários de outros, conclui-se que foi o pior jogo até agora. O goleirão Chaouchi falhou feio no chute de Koren e os eslovênios venceram por 1x0.
Destaque para a presença do filho de argelinos Zinedine Zidane nos camarotes.


O segundo jogo do dia confrontou Gana e Sérvia. Os Black Stars começaram bem o jogo, com bastante ímpeto, mesmo com a ausência de Essien (machucado), Muntari e Appiah (bancários), mas não conseguiu marcar. Depois disso, os Sérvios conseguiram equilibrar o jogo. Ficou assim até 30 minutos do segundo tempo, quando Lukovic foi expulso e deixou as Águias Brancas com um jogador a menos. A superioridade numérica fez com que os Ganeses fossem para o ataque e aos 40 minutos o argentino Héctor Baldassi não titubeou e marcou a mão de Kuzmanovic dentro da área. Pênalti que Asamoah Gyan converteu e garantiu a primeira vitória africana na Copa 2010.


A Alemanha tratou de encerrar o dia com chave de ouro. Não tomou conhecimento da Austrália e aplicou 4x0.
No mês de maio, minha aposta para ganhar a Copa do Mundo era a Alemanha, apesar da derrota para a Argentina em casa, em jogo amistoso. Também disse que o meia Mesut Özil seria eleito o craque jovem (sub-21). Com a contusão de Ballack e o crescimento da Argentina eu comecei a mudar de opinião. Fazendo o bolão, descobri que alemães e argentinos, se tudo transcorrese bem, se enfrentariam nas quartas de final. Por isso, cravei que o selecionado albiceleste passaria. No entanto, a Nationalelf, usando o mesmo esquema argentino (4-2-3-1) se mostrou muito mais consistente. O ataque é parecido, mas na defesa, Lahm é absurdamente superior ao Jonás Gutierrez e os dois volantes, Khedira e Schweinsteiger, se posicionam melhor.
Pelo menos sobre o descendente de turcos eu acertei. O novo Zidane, como ousou comparar o jornal inglês The Independent, Özil, usou e até abusou de ser craque. Participou de três gols e só não deixou o seu pois, como disse antes, abusou.

Amanhã duas grandes seleções entram em campo. A Holanda estreia contra a Dinamarca enquanto a Itália enfrenta o bom time do Paraguai. Também se enfrentam pelo grupo E Camarões e Japão.

sábado, 12 de junho de 2010

Enfim, começou a Copa!


O jogo inaugural, entre México e o país sede, a África do Sul, foi bastante emocionante no extra campo, contudo, fraco tecnicamente dentro dele. O sistema 3-4-3 proposto pelo treinador mexicano Javier Aguirre não funcionou e os Bafana Bafana, que tem um time ruim, mas que jogam com a força do torcedor, conseguiram abrir o placar em um contra-ataque, um golaço de Tshabalala. No final, Los Ratones Verdes começaram a alçar bolas na área e Rafa Marquez aproveitou uma delas para empatar o jogo. O 1x1 ficou de bom tamanho.

No outro jogo do grupo, Uruguai e França ficaram no 0x0. Um jogo bastante duro e disputado. Para muita gente um jogo decepcionante, no entanto não entendi o porquê. Quem criou a expectativa de ver um bom jogo não deve ter acompanhado as duas seleções nas eliminatórias. La Celeste, extremamente irregular, ficou em 5º lugar e sofreu para vencer a Costa Rica na repescagem. Na maioria das vezes com três zagueiros, dois volantes, qualquer enganche (Cebolla Rodriguez, Nacho Gonzalez, Nico Lodeiro, Japo Rodriguez ou Malaka Martinez) jogando mal e Forlán tendo que armar o jogo. Enquanto Les Bleus, apesar de terem Henry, Ribery e Gourcuff, têm um treinador maluco, que descarta jogadores por terem um determinado signo, não têm esquema definido e só venceram a Irlanda, também pela repescagem, na prorrogação. Portanto, não tinha como esperar um jogo de grande qualidade técnica.


O grupo B começou hoje com a Coreia do Sul vencendo a Grécia por 2x0. Os Helênicos são muito ruins, serão o saco de pancadas desse grupo. Portanto, não dá para exaltar a vitória dos coreanos.
Mas o jogo que realmente interessava era entre Argentina e Nigéria. Conhecendo as dificuldades que Lionel Messi tinha jogando pela seleção, Maradona armou o time em torno dele. Com o esquema tático semelhante ao do Barcelona, o 4-2-3-1, Messi teve total liberdade para criar, e funcionou. As incontáveis jogadas criadas por Lio foram paradas pelo endiabrado goleiro Enyeama ou disperdiçadas por Higuain, que sentiu a pressão de estar na Copa do Mundo. Todavia, o esquema sobrecarregou Mascherano, já que Verón não tem totais condições físicas de desempenhar essa função, e a defesa ficou exposta. A presença de Cambiasso seria ideal, mas ele não foi convocado. Heinze marcou o gol argentino de cabeça, logo no início e o resultado foi mantido.
Não foi a exibição ideal mas eu gostei da albiceleste. Evoluirá bastante ainda nessa Copa, principalmente com a entrada de Milito no ataque e uma maior tranquilidade de Di Maria. É minha favorita ao título.


Pelo grupo C se enfrentaram Inglaterra e Estados Unidos. Logo início, em bela tabela com Heskey, Steven Gerrard abriu o placar para os colonizadores. No entanto, antes do jogo o treinador Fábio Capello estava em dúvida entre quem seria o arqueiro titular. Entre Green, Hart e James, Capello escolheu o primeiro e se deu mal. O americano Dempsey deu um chute de longe, despretensioso, mas na tentativa de fazer a defesa o goleiro do West Ham falhou feio e deixou a bola passar, gol da colônia.
Vale frizar também a má atuação de James Milner, que assim como os argentinos Di Maria e Higuain e o uruguayo Lodeiro, começou a Copa muito nervoso. Escalado com o meia-esquerda e ordenado a marcar o lateral direito americano, o jogador do Aston Villa foi substituido aos 30 minutos antes que fosse expulso. Outro que jogou mal foi Frank Lampard. Errou muitos passes e chutes de longa distância, o que não é normal quando atua pelo Chelsea.

Por hoje é isso. Amanhã tem a estreia da Alemanha, seleção de bastante tradição mas que pode sofrer com a inexperiência de seu elenco. Também jogam Argélia e Eslovênia, provavelmente um jogo equilibrado, apesar da falta de expressão das duas seleções, além de Gana e Sérvia, outro bom jogo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Voltando pela Copa



Depois de quase um ano parado, voltarei a postar no blog.
Me motivei com a Copa Mundo. Copa essa que começou pra mim há 1 mês, quando comprei o álbum de figurinhas, que faz parte do meu ritual de Copa. O meu já está completo, mas meu irmão continua colecionando. Por isso, o ajudo a abrir os pacotinhos, a emoção maior. Hoje, abri um e veio pela enésima vez o americano Beasley, mas também um argentino chamado Angel Di Maria. Então me lembrei do primeiro post desse blog, que relatava a vitória da Argentina sobre a Nigéria na final dos Jogos Olímpicos de Pequim. Angelito marcou o único gol do embate, um golaço, ajudando a albiceleste a levar o ouro. Contudo, o rosarino não parou por aí. Depois ajudou seu Benfica a ganhar a Liga e Copa de Portugal, despertou interesse de Real Madrid e Manchester United e virou titular absoluto de Maradona na meia-esquerda da seleção, qualquer que seja o esquema tático.

Hoje, a Argentina comemora os 200 anos de Independência, o teatro Colón reabrirá pós-reforma, mas o show foi no Monumental de Nuñez. El Japo Di Maria fez um golaço de trivela e comandou a fácil vitória argentina por 5x0 sobre o Canadá. O resultado não representa nada, já que o adversário era inofensivo, mas a atuação de Angelito me marcou. Não é atoa que ele foi anunciado como a nova contratação do Real Madrid por 49 milhões de euros.


Para terminar, uma foto de Angel homenageando as comunidades "Boleiro também ama" e "Faço um gol e dedico a ela, ferah".

domingo, 20 de dezembro de 2009

Farroupilha – Da Terceirona ao céu III

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O mirabolante regulamento do Gauchão, que beneficiava as equipes que jogavam o Brasileiro (Grêmio, Inter, Juventude e Caxias), levou o Farroupilha a participar da Copa Emídio Perondi, que definiria uma vaga para o Brasileirão Série C e os dois rebaixados para a Segundona.
A campanha foi razoável. O Farrapo não correu riscos de rebaixamento, mas, faltando quatro rodadas para o fim da primeira fase, abandonou a disputa pela classificação ao perder por 2x1 em casa para o Glória. Depois disso, mais uma derrota, dois empates e fim do primeiro semestre.

O melhor modo de fazer uma boa campanha no campeonato do próximo ano é montar o time seis meses antes para jogar a Copa RS, e esse era o planejamento do Farrapo para 2006.
Para isso, no segundo semestre de 2005, a diretoria anunciou a contratação do treinador Ronaldo Rangel, o Bagé. Junto com ele, vieram os “bruxos” Carlão, Pansera, Flavinho e Rodrigo Gasolina. Para o gol, o experiente goleiro Adir, para a articulação, o baixinho Diógenes e para o ataque, o craque Dudu e Marcelo Fumaça. Todos eles mesclados com o pessoal da casa, como Cleiton, Gil, Agnaldo, Luiz André, Manga, Vagson, Uendel e Fabiano, e alguns remanescentes do Gauchão, como Palhinha e Douglas.

Esse time tinha tudo para fazer uma excelente Copa, mas o início da campanha não foi como todos esperavam. No primeiro amistoso, contra um combinado da ACP (Associação Colonial de Pelotas), o Farrapo saiu perdendo e só conseguiu empate aos 50 minutos do segundo tempo, com Rodrigo Gasolina. No segundo teste, empate em 0x0 com o Inter-B do goleiro Renan e de Danny Moraes, e vaias para o time no Nicolau Fico, embora a equipe ainda estivesse em formação e desfalcada.

A estreia do Farroupilha na Copa RS foi um sonolento 0x0 contra o Pelotas, no Fragata. Na sequência da competição o time continuava oscilando, com vitória contra o Riograndense-SM, tumultuada derrota para o Brasil na Baixada, uma derrota e uma vitória frente ao São Paulo, até o Bra-Far no Nicolau Fico. Este jogo, combinado com a chegada do zagueiro Paulo Roberto, do lateral Marcelo Muller e do matador Vanderlei, marcou a ascensão do Farrapo.

Apesar de ter chovido o dia inteiro e o campo do Nicolau Fico não ter a menor condição de jogo por estar completamente alagado, o clássico entre Farrapo e Xavante saiu. Jogo de futebol em si, bola rolando, não teve. Estava mais para um pólo aquático, porém no segundo tempo, brilhou a estrela do gordinho Marcelo Fumaça. Ele limpou Aládio, dentro da área, e mandou para o fundo da malha.
Depois disso, só vitórias. Em Santa Maria, contra o Riograndense e a mais sensacional de todas, frente o Pelotas na Boca do Lobo.
Meia hora antes do início do cotejo, a Boca do Lobo estava tomada. Tomada de torcedores do Farroupilha, que predominavam no tobogã. O Tricolor também foi predominante dentro de campo e venceu por 2x1. Por fim, goleada sobre o Inter-SM, 2º lugar na chave e classificação garantida.

A segunda fase não foi difícil. Apesar de ter sido surpreendido pelo Três Passos no Nicolau Fico (empate em 2x2, com golaço do meio do campo do atacante Castro), o Farrapo venceu os dois jogos contra o Esportivo (vingando o ano anterior); venceu o Inter B no Passo D’Areia e os empates contra o TAC e o Inter, novamente, garantiram a vaga nas quartas de final.

Agora o Tricolor Fragatense estava entre os oito melhores, e o primeiro mata-mata seria contra o São Paulo. No jogo de ida, em Rio Grande, muita pegada, arbitragem fraca, Dudu gravemente machucado e derrota por 1x0. No entanto o grupo tinha consciência de sua qualidade, sabia que era melhor que o Leão e que deveria mostrar isso no Nicolau Fico. Foi o que aconteceu.
Mal saiu bola e Rodrigo Gasolina (no ataque, como no início de carreira) destruiu com o jogo. Aos 3 minutos 1x0, aos 19’, 2x0, e aos 23’, Gasolina lançou Vanderlei que não perdoou. 3x0 foi pouco. O time e a torcida riograndina não gostaram e partiram para a violência. No campo, Matheus (lateral direito aguerrido e limitado tecnicamente com passagem recente pelo Pelotas) foi expulso e, injustamente, levou Flavinho junto. Nas arquibancadas, a torcida rubro-verde depredou o patrimônio do Farrapo e ainda agrediu nosso torcedor símbolo - o Trem.

O importante era que o Tricolor do Fragata estava nas semifinais. O confronto seria contra a Ulbra, e a primeira partida no estádio Nicolau Fico.

O Farroupilha iniciou bem, até que a zaga falhou, e o time de Canoas abriu o placar. O empate só veio no segundo tempo, quando Carlão acertou uma cabeçada indefensável. Contudo, nova falha da zaga e Waldinson não perdoou.

A pressão do Farrapo foi grande, Vanderlei perdeu vários gols, até que Manga fez um golaço. Golaço! O gol mais bonito que vi no Nicolau Fico. Mangashow recebeu o cruzamento, dominou no peito e bateu no ângulo. O 2x2 não fora o ideal, mas ainda restavam mais 90 minutos em Canoas.

Lá o Farroupilha dominou o jogo. Rodrigo Gasolina abriu o placar e depois acertou uma bola na trave, e foi nesse lance que o Farrapo perdeu a classificação. Mais uma vez a zaga falhou, e Waldinson aproveitou. Apesar de criar, o Tricolor perdeu muitas chances, e o 1x1 classificou a Ulbra, por ter feito dois gols fora de casa.

O Farrapo ficou sem o título e sem a vaga na série C também, já que o Novo Hamburgo tornara-se campeão da Copa Emídio Perondi. Apesar de tudo, a base estava formada para o Gauchão 2006 e, por isso, o Farroupilha queria mais.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Farroupilha – Da Terceirona ao céu II

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Uma semana após o fim da Segundona, o Farroupilha já tinha um novo compromisso. Era a Copinha do segundo semestre, que naquele ano se chamou apenas Copa FGF. A estreia foi contra o São Paulo, em Rio Grande, e a derrota quase óbvia aconteceu. Era óbvia porque o time, além de estar em festa, perdera os jogadores Renato para o Pelotas e Leandro Guerreiro para o VEC.

Na sequência da 1ª fase, o time cresceu e terminou em 2º lugar, atrás do Pelotas. Nos mata - mata, vitória sobre o Inter-SM e depois a fatídica derrota para o Esportivo (que se sagraria campeão) por 6x0 em casa - um jogo extremamente atípico e de atuação pífia. Ainda teve o jogo da volta em Bento Gonçalves, mas o desastre já estava feito, e o plantel não teve forças para reparar.

Terminei a primeira coluna dizendo que o Farrapo queria mais. E “mais” era sua manutenção na primeira divisão, o mínimo que se poderia exigir de uma equipe novata na competição. Para isso a direção acertou com o treinador Luiz Eduardo (ex-zagueiro e capitão do Grêmio) e ele seria a “cabeça” do Projeto Primeira Divisão 2005.

O novo plantel era composto por alguns remanescentes, como Alex Figueiredo, Cleiton, Miro, Vagson, Evanor, PC, Gil e Uendel (a imprensa já divulgou inúmeras grafias para o nome dele, no entanto meu pai lhe perguntou, em uma oportunidade no pavilhão do Nicolau Fico, e confirmou que é com U). Também vieram jogadores conhecidos na região, como Paulo Roberto, Fábio Amaral, Lovato, Edenilso, Douglas e Leandro Guerreiro (de volta), mesclados com os craques Vanderlei e Arílson.

Esse time tinha tudo para fazer uma boa campanha, e a estreia estava marcada para o dia 30 de janeiro contra ninguém menos que SC Internacional, atual tri-campeão, desfalcado de Rafael Sobis e Diego (irmão do Diogo, ambos “craques” que não vingaram) que estavam na Seleção sub-20.

Chegou o dia, 24 anos depois o Grêmio Atlético Farroupilha retornara a jogar a primeira divisão, e fez bonito. Ingresso salgado, embora com casa cheia (não só de colorados - foi meio a meio- inclusive tiveram que ir para a, hoje demolida, Coréia do Nicolau Fico), confusões em um pequeno estádio abrigando um grande jogo e o Farrapão conseguiu empatar em 1x1. Com o jogo muito parelho, Vanderlei “Matador” abriu o placar no primeiro tempo para delírio da massa tricolor. Entretanto na segunda etapa, Tinga (teu povo te ama!) comandou a pressão colorada. No finzinho, ele achou Galego (lateral esquerdo, hoje no Brasil, como diria Marco Bianchi) dentro da área e este empatou o jogo. O gostinho da vitória ficou, mas nenhuma decepção, afinal, empatar em casa com o Inter e ver o Luiz André deixar três vermelhinhos no chão com um drible perto da nossa casamata, estava mais do que bom.

Os três jogos subsequentes foram decepcionantes. Derrota para o Santa Cruz, empate contra o Glória, ambos fora, e derrota para o Veranópolis em casa. Como consequência - demissão do treinador. Geverton Duarte, treinador dos juniores, foi promovido ao cargo de treinador da equipe principal.

O time tinha apenas 2 pontos, mas Geverton consegui mobilizar os jogadores e a reação veio na 4ª rodada, em Novo Hamburgo, com vitória sobre o time da casa por 2x1, com dois gols do zagueiro Paulo Roberto e ainda com dois jogadores expulsos.

No início do returno, o Farrapo conseguiu mais uma vitória sofrida sobre o Noia. Após fazer 2x0 em 15 minutos, com gol de Arílson aos 50 segundos (o mais rápido daquele Gauchão), o Fantasma cedeu o empate, mas ainda havia esperança. No apagar das luzes, Douglas acertou um petardo de fora da área para decretar o 3x2.

Em seguida veio um empate dramático, com gol de Lovato aos 49, contra o VEC por 4x4 e outra vitória em casa, dessa vez sobre o Glória, por 2x1, com outro petardo de Douglas definindo o placar. Resultados que deixaram o Farrapo bem na foto.

Mas veio o jogo contra o Santa Cruz, em casa. Vencendo por 2x1, o Farrapão tinha a chance de matar o jogo no pênalti sofrido por Leandro Guerreiro, aos 33 minutos. Vagson! Era o que gritavam os torcedores! Vagson! Era o que gritava Geverton Duarte! No entanto, o cobrador da infração foi Leandro Guerreiro, jogador de grande destaque na história recente do time, autor de muitos tentos importantes, mas, com todo o respeito, também um dos maiores perdedores de pênaltis do Farrapo. O que aconteceu todos já devem ter percebido. Com a penalidade perdida, o Farroupilha não se classificou, já que aos 47 minutos o Galo empatara.

Agora a missão era praticamente impossível. Vencer o Inter, que também brigava por vaga, no Beira-Rio, o que obviamente não aconteceu. Derrota por 2x0, 14 pontos, 4º lugar e a eliminação.

Apesar de tudo, continuo dizendo: O Farroupilha queria mais...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Farroupilha – Da Terceirona ao céu

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Minha história como torcedor do Grêmio Atlético Farroupilha começou no ano de 2002, ano em que o time voltara a jogar a Segundona. Influenciado pelo meu pai, já tinha ido ao Nicolau Fico quando pequeno e também me lembro de comentários da final da Terceirona 2001, contra o Cachoeira. Com auxílio da revista Super Esporte (Novembro/Dezembro 2001), lembro que nessa campanha o iniciante treinador Bebeto Rosa contava com grandes jogadores como: Evanor (o capitão), Cássio (ídolo do Brasil e do Pelotas), Vélton (meia técnico), Régis (grande zagueiro do Brasil), Géverton Duarte (já era veterano, hoje é comentarista), Manga (maior ídolo recente), Leandro Guerreiro (jogou por muitos anos com a camisa tricolor) e Flávio Leonetti (o artilheiro).

Nos anos de 2002 e 2003, mantendo a base, o Fantasmão fez campanhas apenas medianas. Destaque para o ano de 2003, quando o Farrapo brigou até a última rodada pela classificação ao octogonal final. Infelizmente, a arbitragem anulou três gols tricolores e o Lajeadense saiu com a vitória por 1x0 e a classificação. Mas o melhor estava por vir.

No ano de 2004, a direção tricolor firmou parceria com o Banco BMG visando o acesso à primeira divisão. Para isso, contratou o experiente treinador Edson Pontes, o Ceará, que montou sua comissão técnica e um excelente grupo. Mesclando jogadores remanescentes das campanhas anteriores como Leandro Guerreiro, Vélton e Manga com os experientes Dido, PC e Alex Figueiredo, além da turma de jovens - porém bons – como Cirilo, Miro, Gil e Kiko (todos dispensados do Brasil) o primeiro desafio na temporada foi o Citadino.

Inferior aos adversários, o Farrapo não conseguiu vencer, mas fez boas atuações (derrota para o Pelotas por 3x2 e empate em 2x2 com o Brasil), se tratando de uma pré-temporada e ainda com algumas carências no plantel.

O início de Segundona foi muito bom para o Fantasma do Fragata. Terminou a 1ª fase na vice-liderança, com dois empates em 1x1 nos Bra-Far. Apesar disso, Ceará e o vice-presidente de futebol Adão Marques não conseguiram se entender e toda comissão técnica pediu demissão. O treinador alegou que estava insatisfeito com a interferência de Marques no seu trabalho e com isso foi acertada a volta de Bebeto Rosa, o mestre do 3-5-2 - hoje, especialista em acessos. Ele estreou com uma vitória sobre o Bagé, em casa, com o time desfalcado e provou que poderia levar o time à elite.

A segunda fase foi ainda melhor. Bebeto Rosa fazia aquele time jogar com um fino toque de bola. Dido como líbero, os outros dois zagueiros saindo pelos lados, os alas Cleiton e Michel Gomes entrando em diagonal e Mangashow na criação. Assim ficava fácil para Leandro Guerreiro, Adãozinho, Gil e Caetano, que se revezavam no ataque.

Apesar de perder o Bra-Far na Baixada, ficar no 0x0 em casa e perder o zagueiro Roger (Bauer, atualmente dirigente do EC Pelotas) para o Lages- a direção contratou Renato, que substituiu o alemão muito bem pela esquerda, e Evanor, que futuramente seria titular, com a lesão grave na coxa de Vagson - o Farroupilha terminou na primeira colocação (“título” muito comemorado com a vitória sobre o Guarany de Bagé) e ficou entre os oito melhores. O Brasil ficou em segundo (classificou-se também) e eu dizia para meu colega Rafael: “Não vejo ninguém na minha frente”.

A terceira fase foi difícil. Apesar de o Farrapo ter melhor colocação na segunda fase, ficou com a segunda colocação geral e consequentemente uma chave mais complicada. Foi a única vez que o Tricolor não encontrou o Brasil de Pelotas (dono da melhor campanha geral), mas encontrou o de Farroupilha, além de Inter-SM e São Luiz.

No primeiro turno, empate em Ijuí, empate em casa contra o Inter (com um pênalti imbecil nos acréscimos do capitão Dido, suposta entregada, o que causou sua saída do time) e derrota em Farroupilha. A situação ficou complicada, mas o Farrapão reagiu. Vitória sobre o Brasil e empate em Santa Maria deixaram o Fantasma dependendo de uma vitória no Nicolau Fico contra o São Luiz. Nesse jogo o Nicolau Fico lotou (com ajuda de xavantes e áureo-cerúleos, claro) e uma grande vitória por 3x0.

O Farrapo estava entre os quatro melhores. Junto, o Xavante, Brasil-Fa e o Sapiranga. No ano em que o Pelotas foi rebaixado, a cidade tinha tudo para ter dois representantes na primeira divisão no ano de 2005.

O quadrangular final não podia começar pior. Bebeto Rosa escalou Cleiton machucado e o Brasil fez 3x0. Mas no jogo seguinte o Fantasma recuperou o saldo e venceu o Brasil-Fa por 4x0, em casa. Depois, 3x1 no Sapiranga, terminando o primeiro turno em segundo, atrás do Brasil. Mas se o xavante conseguiu o acesso com uma rodada de antecedência, o Farrapo sofreu. Depois de perder para Sapiranga e Brasil-Fa fora de casa, era vencer ou vencer o Bra-Far na última rodada.

Muitos diziam que o Brasil iria entregar o jogo, mas não foi o que aconteceu. O Xavante pressionou muito, dando trabalho para Alex Figueiredo, até que Michel Alves se complicou com o gramado irregular. Furou em bola num desvio após escanteio e Manga não perdoou. O Farrapo estava na primeira divisão.

No início de segundo tempo, Careca empatou o jogo e o resultado paralelo do jogo Sapiranga e Bra-Far tirava o Farrapo da primeira divisão.

Ainda restavam esperanças. Gil fez grande jogada pela direita, cruzou para a área e Paulinho marcou contra. O Farrapo estava na primeira divisão. Festa das duas torcidas no gramado, já que o Brasil ficara com o título, festa do Tricolor do Fragata, que 24 anos depois estava de volta à elite.

E o Farrapo queria mais...